No ano passado, existiam 698 mil trabalhadores por conta própria e destes quase 88.000 eram economicamente dependentes de uma única entidade, ou seja, a maior parte do renidmento tinha origem num único cliente.

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Quase 13% do total dos 698.900 trabalhadores por conta própria em 2023 tiveram um cliente que representou 75% ou mais do rendimento da sua atividade, menos 2,1 pontos percentuais do que no ano anterior, segundo dados do INE.

De acordo com as estatísticas do emprego anuais, publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), daquele mesmo total de trabalhadores, 12,3% indicaram que são os clientes quem estabelece o seu horário de trabalho, mais 0,3 pontos percentuais do que em 2022.

No conjunto dos dois tipos de dependência, foram identificados 1,9% (13.500) de trabalhadores por conta própria simultaneamente em dependência económica e organizacional, o que representa uma diminuição de 0,5 pontos percentuais face a 2022.

O INE recolhe esta informação anualmente, para aferir o impacto dos clientes na atividade dos trabalhadores por conta própria, nomeadamente a existência de clientes que, sozinhos, representem uma percentagem elevada dos rendimentos do trabalhador e que tenham a possibilidade de estipularem o horário de trabalho deste.

A autoridade estatística observou ainda que 6,9% (48.200) dos trabalhadores por conta própria indicaram ter tido, nos últimos 12 meses, apenas um cliente, o que representa uma diminuição de 1,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior, 4,1% (28.500) tiveram entre dois a nove clientes, um dos quais dominante, menos 0,5 pontos do que em 2022, e 1,6% (11.200) tiveram 10 ou mais clientes, também um dos quais dominante, menos 0,1 pontos do que no ano anterior.

"Dito de outro modo, 12,6% (87.900) dos trabalhadores por conta própria tiveram um cliente dominante em 2023, o que corresponde a um decréscimo de 2,1 pontos percentuais em relação a 2022", explicou o INE, realçando que "quando um trabalhador por conta própria tem um só cliente ou, tendo dois ou mais clientes, um é dominante, considera-se que há dependência económica".

Segundo a entidade, a dependência económica é mais frequente entre os homens (14%) do que entre as mulheres (10,4%), entre os jovens dos 16 aos 34 anos (20,6%), os indivíduos que completaram o ensino secundário ou pós-secundário (14,2%), os que trabalham no setor da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca (44,3%) e na região Oeste e Vale do Tejo (20,3%).

Já nos casos em que são os clientes a determinar o horário de trabalho, considera-se que se está perante "dependência organizacional", que, à semelhança da dependência económica, é mais comum entre os jovens dos 16 aos 34 anos (15,5%) e entre aqueles com ensino secundário ou pós-secundário (14,8%).

Porém, é mais elevada entre as mulheres (13,6%) do que entre os homens (11,4%), no setor dos serviços (13,4%) e na Península de Setúbal (23,5%).

in Jornal de Negócios | 27-03-2024 | LUSA

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